DISCURSETA


Eu sou a velha Serpente
Mais antiga do Dragão
De Noé a companheira
E vi a crucificação...

Habitei pérgulas intimas
Vi o Império ruir
Sob impropérios profanos
De Pôncio... e... Legiões...

Percorri os Continentes
Desembarquei com Colombo
Feri feras... nas florestas
Onde o arvoredo em medrança
Enticante e altaneiro
Pôs-me em observância...

Mas... hoje venero a raça
Como no início dos tempos
Desconheço os relógios
Do homem não tenho medo
Os dogmas não me atingem
Eu sou a alforria dos ventos.



Roberto Stavale
São Paulo, 04/2000.-
Livro: "Metáforas"