DESENCANTAMENTO


Porque sou como o deserto
Tal... viajor encoberto
De mágoas e aflições...
O tempo... pede-me... espórtulas
Pois... nada mais me consola
Nem mesmo as tentações.

A morte... quero... conciso
Buscando funéreo abrigo
Assim... sepultar as paixões...
Perdidas e espargidas
Nos erros e nas perfídias
Desterros das contemplações.

Quero morrer em aconchego
Deixando pra traz o relevo
Das plúmbeas recordações...
Enterrem-me em terras profundas
Para... ninguém as confunda
Com lápides das ressurreições.



Roberto Stavale
São Paulo, 08/2001.-
Livro: "Metáforas"