NADA É PERENE


Primeiro o anseio de ter-te perene
Seguido de fatos, papéis e retratos
Pois a tua lembrança invadiu a rotina
Que sina,
Deixando de ser uma falsa miragem,
Depois o desejo de ver-te somente
De quando em quando
Os sentidos faltavam-me
O ardor transformou-se...
Em prazer zombeteiro
Que hoje eu sinto
Quiçá derradeiro,
E, quando na alta noite eu penso
E relembro os meus atos
O desgasto,
Paro no tempo e, em silêncio
Procuro-te através do pensamento
Pois o esquecimento
Faz parte do drama ou comédia
Em dois atos.



Roberto Stavale
São Paulo, 07/1995.-
Livro: "Manobras Na Noite"