| Roberto
Stavale - 1941 - Casa De Vapor Com Locomotiva -
Paranapiacaba Óleo Sobre Tela 46 x 33 cm - 1968 |
NÉVOAS DA SERRA
Era cinza, muito cinza
transparente
E a névoa envolvente que caía
Cristalizava em fragrâncias a minha mente
Pelas lembranças do tempo em que vivia.
Que
estranho mundo circunspecto
Que sorve matizes e as prospectivas
Realçava o mórbido tão patético
Pela neblina que gela e cativa.
Na sensação do espaço oculto sem ruídos
Tropeçando em veredas sem saídas
E na irradiação surge um brilho puído
Dando aos sentidos as dimensões perdidas.
Um vulto, um ser no farfalhar cortante
Oásis, imaginação que a febre queimava
Nem mesmo se via na solidão distante
Aquele que sofre por quem tanto amava.
O cinza era a cerração do ego
As cores tingiam a vida que persiste
A luz, era o movimento quieto
E o som... os soluços tristes.
Roberto Stavale
São Paulo,
05/1989.-
Livro:
"Murmulhos"
