RÉQUIEM
Astro
enigmático que na noite fria
Apartaste calado na exaltação
Anelo ardente no ataúde sacro
Envolto na manta da depuração,
Buscaste só o crepuscular perene
Saíste do érebo, o limbo fatal
E eu abatido nos escolhos fitava
Teus cachos doirados a emoldurar...
Os olhos cerúleos, perdidos e imóveis
De um anjo intrépido feliz a sonhar
Naquele recinto de prantos egrégios
Descansaram algures os teus ideais,
Dormiste meu pequeno e partiste tranqüilo
Preserve o aspecto, não zombe de mim
Pois no fim da jornada, lá no alabanda
Ir-te-ei um dia encontrar...
Entre as fragrâncias das flores amenas
Em outros horizontes contigo brincar.
Roberto
Stavale
São Paulo, 11/1983.-
Livro: "Manobras Na Noite"
