Imagem - Roberto Stavale - 1941 - Trem 02 - AGC - 1997

 

O TREM DE ITANHAÉM


No tempo parado sozinho escutava
O triste apito que o vento trazia
Mas hoje lembrando tão amuado
Das idas quimeras, sutis nostalgias
Passava altivo levando saudade
Fervendo, arfava soprando carvão
E ao vê-lo erguia em adeus minha mão.


Do vapor as essências no ar desprendiam
Lamentos, chiados nas serras morriam
Mesclados aos sons que vinham do mar,
Sim, aquele trem de fumaça...
Nem o destino eu sabia
Era a miragem astuta a queimar
Meus sonhos dolentes a me torturar.


Do desejo à utopia
Seu condutor era eu,
E nas escalas da vida
Às inspirações perdidas
Restando apenas a estação
Onde se lê em destaque:
Parada da desolação.



Roberto Stavale
Itanhaém, 03/1993.-
Livro: "Manobras Na Noite"