D E S E J O
Quando eu morrer meus anseios
Não quero os prantos hórridos
Nem que alguém se comove
Com o meu sono profundo
Odeio a falsidade
Daqueles em seus falatórios
Sublimam o corpo presente
No sacro lugar de velório
Só quero o cismar tranqüilo
Dos que foram meus amigos
Das que muito me amaram
E dos parentes sinceros
Para depois me levarem
Pro aconchego final
Sob as asas de um anjo
Meu guardião perenal
Onde serei epitáfio
Conciso e apaziguado
Com o meu ideal...
Roberto Stavale
São Paulo, 12/1993.-
Livro: "Manobras Na Noite"
