VENTO DE FEIÇÃO


Quero ser o vento abstrato
Senhor... mestre do tempo
Frio... úmido... viscoso
Que adere às moléculas invisíveis
Indo à procura de um ser visível
Credo das inspirações...

Assim... perguntar ao acaso
Onde andarás... em que reino te escondes
Qual rua... ou nos quartos em penumbras
Com teus seios... arfando em abrolhos
Recordando idos... sonhos
Inerte em contemplações...

Percorro cético... multiplicando... espaços
Passo e repasso pelos teus costumes
Uivo e assovio pelos teus contornos
Sinta-me... pois sou tua sina
Tremente conquista sofrida
Zunido das lamentações...



Roberto Stavale
São Paulo, 10/2001.-
Livro: "Metáforas"